27 julho, 2005

Convalescença agitada

Muito bem. Alivium e alívio em casa. Pois ontem, segunda, a bichinha - como não foi à creche e não pôde, assim, gastar energia - tava a (quase) toda de noite. Eu na cozinha, tentando terminar umas coisas, e ela fazendo de tudo pra chamar atenção. Dei uma caixinha promocional com três pequenos lápis de cera. Ela enjoou fácil de usar aquilo no papel, largou o bloco no chão e resolveu levar os lápis à boca. "Manu, não!" Risada debochada e continuava fazendo. "Manu, na boca, não!" Tirava temporariamente e voltava a pôr. O pai achava bonitinho pois ela parecia estar imitando o movimento de passar batom. Reparei. Realmente parecia. Não sei com quem aprendeu, mas... E, enquanto ela passava batom, cansava minha beleza. Afinal, o risco de ela querer comer o "batom" era grande. "Manu, não!" e ando pra pegá-la. Ela dispara pra sala. Escorrega, claro, no bloco de papel que ela mesma tinha deixado no chão. Igual cena de história em quadrinho, quando alguém escorrega na banana, sabe? I-gual-zi-nho. Ela cai e bate, claro, com a cabeça no chão. Cataploft! Não podia ser com algo mais simples. Tinha que ser com a cabeça. "Buáááááá...Buáááááá....Buáááááá..." "Olha, Manu, que lindo o lápis. Ajuda a mamãe a encaixar essas coisas. Isso, coloca assim..." E a noite segue...

23 julho, 2005

A primeira vez a gente nunca esquece

Acho que esse título aí serve muito mais pros pais do que pra ela. Nos é que acordamos com os choros inexplicados e inexplicáveis no meio da madrugada. "O que houve, minha filha?". "Buááááá....". Pois foi este o único diálogo que rolava desde sexta de noite, estendendo-se pelo sábado - quando ela tava amuada e prostrada como nunca - e parte do domingo. Eram picos de febre de 39,5º, Tylenol Bebê, febre baixando pra 37º e às vezes - apenas às vezes - passava completamente. Logo depois, subia de novo. No domingo à noite, não teve jeito: fomos ao atendimento de emergência. Era infecção de ouvido. A primeira do ano e três meses de vida dela. Nossa primeira experiência com ela assim, toda amuadinha, quietinha, abatiiiida que só. Na própria emergência, o médico prescreveu: além do antibiótico, [o antitérmico/analgésico] Alivium nela. Em casa, alívio nosso.

21 julho, 2005

Às margens da sala de aula, ela sentou e chorou

Como era de se esperar de qq criança, Manu finalmente chorou por estar indo pra creche. O chororo previsível aconteceu na sexta, 15, de manha, depois de ela ter experimentado o 1o dia em período integral na quinta.

Quando foi pro colo do tio, começou a chorar e chamar "Dedei, Dedei", naquele jeito embolado de criança aos prantos. Dei tchau e saí firme, sem olhar pra trás.

Na segunda foi a mesma coisa, só que o choro foi um pouco antes, quando a porta da escola se abriu. Na terça, não lembro. Hj, quarta, deu dó. Parei o carro na frente da creche e ela já começou a chorar :-(

Sempre que deixo ela, vou pro trabalho com um apertinho no coração, com culpa de ser uma má mãe etc. Mas acho que depois da tempestade vem a bonança: nesse meio tempo, percebi que, apesar de ela começar a chorar, sim, tá parando mais rápido. E que, quando me vê, no final do dia, só ri, ao invés de rir e chorar como fazia antes. Acho que ela achava que eu ia desaparecer de novo repentinamente. Acho que tá mais segura, sabendo que eu volto, sim. Sempre.

12 julho, 2005

Aprendiz de Godard

Dias desses (tb não lembro quando, mas acho que foi ontem), ficou meia hora deitada, sem se mexer (quem já teve filho sabe como isso é raro nessa idade de um ano e três meses), juntinho de mim, vendo filme. Francês. Era O Closet, ou seja, sem animações, sem grandes cores, sem grandes ações e numa língua que ela não entende na-di-nha (ao contrário da TV, que volta e meia ela vê e entende). Foi a primeira vez (pelo menos comigo) que se comportou tanto na frente da telinha. Normalmente, em 5 minutos já está esgotada.

Noções de higiene

Dias desses, não lembro se foi ontem, anteontem, hoje, sábado, enfim, ela pegou a caixa de cotonetes. Para conseguir de volta, tive que mostrar a ela que 'precisava' daquilo para limpar a orelha dela. E foi o que eu fiz: limpei narizinho (que ela não gosta tanto) e orelha/ouvido (que ela adora). Ao que ela respondeu: pegou um cotonete também e enfiou na minha orelha direita. Delicadamente. Mexeu de leve. Deixei, morrendo de rir e suuuuper orgulhosa. Como se não bastasse, ela tirou e colocou na outra orelha, mexeu mais um pouquinho, retirou e me olhou, querendo dizer: "pronto, dever cumprido". Pode?

Segundo dia

Segundo dia na creche hoje, e ela já ficou a manhã inteira. Chegou e já se foi se dirigindo ao pátio de brinquedos, com a autoridade de quem já conhece há anos. A tia é que teve que dizer: "Não vai dar beijo na mãe, não?". Ela voltou, beijou, acenou, se virou e foi. Assim, sem olhar para trás.

E eu fui, assim, sem entender se gostava ou não desse desprendimento todo. Mas, ao mesmo tempo, sem ter tempo para ficar pensando nesses detalhes. Bom, o fato é que ela tá bem, sem drama. (E, cá pra nós, eu acho que adoro o fato de ela ser descolada assim, pois, primeiro, não dá trabalho e eu não vejo ela sofrendo; segundo, atolada de trabalho do jeito que eu tô, isso é uma mão na roda).

11 julho, 2005

Quedas livres

Agora de noite ela caiu. De novo. Essa deve ter sido a ziolionésima vez. Tentando puxar pela memória, lembro de pelo menos 5 ou 6 vezes. :-( Mas já fazia tempo que isso não acontecia. Na maioria das vezes, mau cálculo dos pais ou excesso de movimento no sono dela. A primeiríssima vez doeu no coração. Elas devia ter uns 5 ou 6 meses. Todas doem. Mas a primeira é quando vc se dá conta de que aquele bichinho já se mexe, sim, e vai te dar muito trabalho se não ficar esperta. Ela sempre chorava apenas alguns segundos, mais de susto do que de dor, e assim que a gente pegava e andava um pouco com ela no colo, tudo cessava. Acho que a vez em que eu mais me senti culpada foi quando ela tinha uns 9/10 meses, já tinha noção das bordas da cama, sabia que não podia ir além, mas ainda não tinha aquele cálculo automático que os adultos têm de todos os seus movimentos. Assim, tava engatinhando em cima da cama e foi se virando e sentando ao mesmo tempo, olhando um pouco para trás para me ver. Aí a parte lateral do seu corpo ficou sem apoio e eu vi ela caindo em câmera lenta, sabendo que eu podia ter evitado. Me joguei pra tentar segurar [dramático, não? Mas é verdade], cheguei a agarrar o braço, mas ela já tinha caído de bochecha no chão e ficou sem conseguir terminar de cair, com parte do corpo ainda para cima. Deu dó e culpa. Dessa vez ela não parou de chorar rápido, e os gritinhos dela me diziam para ter mais cuidado.

Descolada total

Primeiro dia de creche hoje, depois que a babá resolveu se escafeder sem dizer nada e, pior, nem atender os telefonemas que eu dei para tomar uma mísera satisfação. Chegamos (eu e ela) lá na creche quase uma da tarde. Comecei a conversar com a coordenadora, dizendo que a Manu ia realmente ficar etc. Logo depois, Rodrigo chegou. Nesse meio tempo, um tio lá tinha ficado com ela pra eu acabar de conversar com a coordenadora. Ele saiu da sala com ela e, quando voltou, sozinho, disse que ela já tava no pátio com as crianças. A coordenadora falou para a gente ir dar uma volta, almoçar e tal. Foi o que fizemos. Só tivemos o trabalho de olhar de longe e sair. Ela nem nos viu saindo.

Voltamos uma hora depois e ela tava na maior, já tinha comido sopa, gelatina e não parava de brincar no pátio. Entrando numa casinha de boneca - lugar sumamente apropriado, em se tratando de quem é, diga-se de passagem ;-). As tias a trouxeram para a gente ir para casa... e não é que a garota queria voltar pro pátio a qq custo? Estava agitadíssima, em êxtase! Chegou a voltar sozinha da porta da escola para o pátio, me surpreendendo: como é que, mal chegou num lugar, um serzinho daquele que ainda nem saiu das fraldas já gravou o caminho? Pode? O que só me faz concluir que ela só não troca a fralda sozinha e não lava a boca depois de comer só pra gozar da minha cara. Só pode ser. Ela já entende tudo, já faz tudo! Ou para me escravizar. (Pensando bem, deve ser isso. Filhos adoram fazer isso com os pais. Meus irmãos até hoje fazem isso com a minha mãe...)

Mas, voltando à creche: saí de lá com a certeza de que ela sabe muito mais do que a gente pensa, de que colocar na creche foi a opção certa, de que essa menina é muito descolada e de que vou sofrer bem antes do tempo a síndrome do ninho vazio. E, ainda, saí realizada vendo a baixinha bufando de tanto que brincou. Ufa! Cansei por ela. (Aliás, capotou no carro a caminho de casa. Ops, mau uso figurativo da palavra. Melhor "desmaiou", "dormiu profundamente" etc...)

Amanhã vou levar cedo, às 9h (o horário correto, aliás. Hj elas fizeram uma exceção pra gente). E, se duvidar, ela já vai ficar a parte da manhã inteira.

01 julho, 2005

Escreva

Olha: a Manu realmente carrega o fardo de ter nascido em uma era de bits e bytes e, pior, de ter uma mãe que trabalha ativamente próxima a isso.

Assim, além de site, blog e álbuns online de fotos, ela tem também um email: manuelamattar@gmail.com.

Escreve. Quem sabe um dia ela lê?

Medidas de deusa

Peso: 3.530 kg

Altura: 51 cm

Onde: Perinatal, Laranjeiras, RJ

Quando: 10.04.2004

Apgar: 10 e 10 (não podia deixar de dizer, né?)

Sangue: B -

Médica: Dra. Mires

A escolha do nome

Primeiro havia uma lista. As duas primeiras propostas (Morgana e Valentina) foram refutadas pelo meu mui ilustre parceiro nessa empreitada. Manuela ficou. Foi escolhido. Já adorávamos o nome. Fomos procurar o significado. 'Deus conosco'. Mais perfeito, impossível. Hoje temos nossa pequena deusa, que, nos seus sorrisos, nos dá doses diárias de um sentimento divino.

Eta exercício de tolerância!

Se existe uma lição que aprendi na gravidez, essa lição foi a tolerância. Você não aguenta mais aquele enjôo, mas tem que engolir. Não suporta mais a barriga imensa atrasando seus passos, mas tem que carregar. Não cogita pemitir que o neném aperte ainda mais seus órgãos, mas deixa ele crescer. Não tá gostando nada das dores das contrações, mas tem que sentir. E por aí vai.

Apesar das pseudo-reclamações acima, não tenho nada a reclamar. Enjoei por pouco tempo; não tive nenhum problema (nada de pressão alta, dores nas costas, muitos inchaços etc.); azia queimou e passou rápido; cãimbra deu um pouco mais de trabalho, mas marido tá aí pra aliviar isso também. E vou te falar: período iluminado esse da gravidez. Se não foi o melhor da minha vida, foi um dos. Aconselho e recomendo. Com moderação, claro (porque não esqueçam que depois vêm o choro, as fraldas, o trabalho, o gasto etc. etc. etc...)

Mas resumindo: como a Manu não existiria sem mim, faço o luxo de colocar umas fotos minhas no momento em que estava na mais perfeita simbiose com a pequena.

Eta exercício de tolerância!

Se existe uma lição que aprendi na gravidez, essa lição foi a tolerância. Você não aguenta mais aquele enjôo, mas tem que engolir. Não suporta mais a barriga imensa atrasando seus passos, mas tem que carregar. Não cogita pemitir que o neném aperte ainda mais seus órgãos, mas deixa ele crescer. Não tá gostando nada das dores das contrações, mas tem que sentir. E por aí vai.

Apesar das pseudo-reclamações acima, não tenho nada a reclamar. Enjoei por pouco tempo; não tive nenhum problema (nada de pressão alta, dores nas costas, muitos inchaços etc.); azia queimou e passou rápido; cãimbra deu um pouco mais de trabalho, mas marido tá aí pra aliviar isso também. E vou te falar: período iluminado esse da gravidez. Se não foi o melhor da minha vida, foi um dos. Aconselho e recomendo. Com moderação, claro (porque não esqueçam que depois vêm o choro, as fraldas, o trabalho, o gasto etc. etc. etc...)

Mas resumindo: como a Manu não existiria sem mim, faço o luxo de colocar umas fotos minhas no momento em que estava na mais perfeita simbiose com a pequena.

Quando 'deus' nasceu

Manuela significa "Deus conosco". E é justamente isso que ela foi pra gente: a personificação de algo sagrado. Um tapa na cara. Nada mais sublime, nada mais transformador. Transformou uma menina numa mãe, um menino num pai, noites bem dormidas em horas de vigília, fraldas imaculadas em filial de banheiro, uma casa pseudo-arrumada em uma testemunha de furacões diários... enfim, tudo que uma criança pode ser. Tão pequena, chegou sem pedir licença, monopolizou todas as atenções, ocupou todos os recantos no coração, na mente, tomou lugar, lugares, ficou grande, ficou maior do que eu, cresceu, virou deusa. Minha pequena deusa. Comigo. Conosco.

Estas páginas são para dividir com vocês um pouco da alegria ampla, geral e irrestrita que é criar uma singela deusa.