04 outubro, 2006

Pílulas noturnas

Agora à noite:

Na cozinha, brincando com mini potinhos de geléia vazios, começa a colocá-los dentro do balde de gelo. Aí me explica: "Mamãe, óia aqui! Tô 'cheiando'".

Momentos depois, começa a abrir os potinhos e, quando pega um já sem a tampa, me mostra: "Esse já tá 'abido'".

[E eu com coração balançado por achar uma gracinha, mas com firmeza necessária à mãe que quer educar, ainda tive a coragem de corrigir: "é 'aberto' filha". :-( ]

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Mais tarde um pouco, ofereço a chupeta (que hoje em dia já tem protocolo: só na hora de dormir). Como ela ainda estava em pé, ela faz aquela cara de nojo/alguma-coisa-está-errada e me avisa: "agola não, mãe, só na hola de dumi". Eu já esboço aquela cara de riso contido e orgulho ao mesmo tempo. Ela continua: "gada pa mim pu favô?" Eu fico com ainda mais cara de orgulhosa e o riso contido aumenta.

Ela sai andando por dois segundos, pára, vira e diz pra mim - e por mim - a frase que eu sempre digo quando faço essa tal cara-de-orgulhosa-e-riso-contido toda vez que ela faz uma coisa inteligente: "Eu ipéta". E dá um sorriso abertão. Pronto: não precisa mais de mim. Já sabe exatamente todos os procedimentos e falas da mãe. Substituta precoce e perfeita.

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E ainda um pouquinho mais tarde - já com sono e chupeta, encostada um pouco no meu colo - de repente, resolve que não quer mais isso. Levanta a cabeça, me entrega a chupeta e avisa: "Toma. Cabô a hola de dumi".

Ufa! Dia cheio.