26 dezembro, 2006

O mundo é rosa e os habitantes, Hello Kitty

Olha, eu mereço. Sempre fui avessa a coisas fresquíssimas e queria que a Manu não fosse aquele tipo de menina toda chatinha, afrescalhada. Tanto que, quando grávida, dizia que ia fugir do rosa, seu quarto não ia ser rosa, que evitaria roupas rosa etc. Por sorte e personalidade, acho que ela realmente não vai ser. Tem e faz charme, dobra cabeça pro lado pra falar bonitinho, põe mão na cintura e desfila etc., mas tem tb o lado heavy metal. Tudo isso dela, nitidamente dela.

Bom, mas isso não impede que ela ganhe exatamente as coisas que eu nao gostaria de estimular nela. Não que eu ache que isso é só o que determina a personalidade e futuro da criança. Não é. Caso contrário eu cozinharia com gosto, só vestiria saia, me portaria como uma egressa da Socila etc. Odeio cozinhar - com raras exceções -, calça pra que te quero e não perco a oportunidade de comer uma pizza com a mão.

Mas voltando aos presentes. Ainda grávida, ganhava tudo rosa. Logo vi que não ia conseguir fugir. Hoje em dia incorporei o rosa na minha vida. Além da bichinha ficar bem com a cor, tendo tudo rosa é mais fácil combinar: as roupas entre si, os objetos do quarto etc. ;-)

Além disso, sempre tento evitar - na maioria das vezes, sem sucesso - que ela ganhe presentes que reforcem esteriótipos, principalmente os machistas. As pessoas dão e, apesar de eu pseudo-reclamar e fazer uma mise-en-scène dizendo que não quero essas coisas pra Manu, acabo deixando numa boa. Prefiro que não ganhe Barbie (aquela vagabunda), panelas (por que ensinar pras meninas que o que elas têm que gostar é de cozinhar? Por que não dar tb pra meninos?) etc. Prefiro. Mas ela ganha. Escondo alguns, é verdade. Mas acabo deixando passar muitos. A maioria. Como eu disse, isso não define a personalidade de ninguém, mas ajuda a formar conceitos. Então é bom dosar. Não é nenhuma obsessão. Só opinião.

Mas enfim. Cheguemos aos finalmentes: a Hello Kitty. Esse ser fabricado no qual confesso que nunca vi nenhuma graça. A princípio, não tem nada que desabone. Só tem a curiosidade da dita cuja não ter boca. (Talvez isso seja até inclusivo, ter uma boneca com deficiência, sei lá...) Mas o fato é que sempre achei afrescalhada demais, mimosinha em excesso, enfim, meio sem graça, mesmo. Mas a tal gatinha de uns tempos pra cá voltou com toda força à moda. E Manu já vinha sendo mimada com presentes figurando a gatinha sem boca. Já tinha faixa de cabelo, pasta, pote de levar lanche pra creche, mochilinha e sei lá mais o quê. Só que neste Natal foi a coroação da influência da gatinha na vida da Manu: ganhou 8, eu disse 8 presentes "de" Hllo Kitty. Mesmo que a Manu não quisesse, ela vai ser obrigada a gostar da gatinha. Foram duas bonecas em si (uma delas, coelhinha), uma maleta pequena, tic-tac de cabelo, uma caneta de pendurar no pescoço, mochila com rodinha, livro e, talvez a coisa mais supérflua, uma torradeira que faz torrada com a cara da Hello Kitty (Fotos de quase tudo abaixo). A casa agora mais do que nunca é povoada de HK. E eu até me divirto com isso. Daqui a pouco até eu compro um presente de HK pra ela! Eu mereço...





2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Será que ela vai gostar da submetralhadora rosa de plástico que eu brincava quando era criança?

Otto

2/1/07 14:22  
Anonymous Anônimo said...

Linda visão de mundo!!!

5/1/07 12:48  

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